Archive for September, 2008

Florença

Thursday, September 11th, 2008

Terra de milagres, todas as peregrinações têm sucesso garantido.

Gianbologna: rapto das sabinas

Academia de Pintura

Thursday, September 4th, 2008

Alguém concordará comigo na questão de que é necessária uma Academia de Pintura, onde os alunos ingressem com a certeza de que serão munidos dos meios técnicos essenciais para se tornarem artistas?

Ao contrário de deixar os principiantes descobrirem pequenos vícios e truques que tentarão empolar até à escala de talentos, como quem aranca um velho papel de parede e lhe chama “Arte”, não se deveria facultar a todos aqueles que verdadeiramente querem aprender a pintar ou desenhar, a maneira de o conseguir fazer com qualidade? Sem abordar o assunto da formação estética do “gosto”, que também é um ponto fundamental, parece-me que as meras questões técnicas que a “arte actual” odeia como pecados mortais, seriam bastantes para fundar toda uma nova escola. É, para mim, um insulto aos talentos que são potenciais pintores, obrigá-los a morrer à fome, negando-lhes a técnica que lhes permitiria crescer, ou, como também se faz em abundância, convencê-los de que as pequenas brincadeiras e originalidades que desajeitadamente se trazem da infância podem ser “pérolas de arte”, livres da contaminação esterilizadora da aprendizagem académica. Todos sabemos que nas nossas escolas de artes o saber dos docentes é insuficiente e que os alunos que os abordam com pesquisas profundas não encontram o apoio de que necessitam. Tenho conversado com alguns, cheios de talento e vontade, ansiosos por que se lhes permita desenvolver as suas extraordinárias capacidades. Muitos dos nosso velhos professores de outrora foram empurrados para a reforma. Outros fugiram para a reforma por não suportarem mais a degradação académica a que o ensino chegou. Com eles desapareceu a verdadeira ajuda que tivemos. Ora nós sabemos bem que esta nova camada de vanguardistas não faz mais que múltiplas vénias à massificação capitalista que alastrou sobre a Europa desde que os EUA roubaram a vitória da 2ª Guerra aos Britânicos. É apenas a lei do capital e da cotação que rege os novos panteões da pintura internacional, e o nosso ridículo país não faz mais que ratificar tudo o que é despejado pela crítica internacional vendida e pedante, já que basta ser publicitado para ser cotado. Que cada um tenha a sua opinião e escolha a sua pintura, está certíssimo; que não se consiga proporcionar aos aspirantes a artistas os meios absolutamente essenciais para o seu futuro é um crime que apenas enterra mais fundo na pobreza o nosso país. Sendo tão pequenos, e insignificantes se formos destacados do Grande Brasil, podíamos, ao menos, arriscar ser diferentes, estilhaçar a montra de vaidades grotesca que todos sabem já ter passado de moda. Talvez assim alguma coisa acertada pudesse emergir deste pântano. Não encontrei, até hoje, alguém que me dissesse que é admissível que um pianista não tenha a sua obrigatória formação académica. Ninguém sobe a um palco e toca um instrumento sem anos sobre anos de prática e técnica. Porque é que nos deixámos prostituir nas Belas-Artes? A famosa e rica Guggenheim fartou-se de gozar com a Pintura e com os seus pobres amigos pintores. Nunca deve ter pensado, porém, que as suas brincadeiras iriam acabar com tantos séculos de civilização, para permitir que o lixo fosse promovido a luxo. Ah, já me esquecia… parece que foram os EUA que ganharam a guerra